quarta-feira, 5 de outubro de 2011

NADA/ DE NADA/

I

Nada
Existe
Dentro
Desta cabeça
Oca,
Opaca,
Vazia.

II

Não se iludam,
Não fiquem
Admirados,
Meus queridos
Amigos,
Com este senhor,
Que se chama
Ndo,
Vindo
De Pelundo,
De Bolama,
De Kantoma.

III

Ele
Não é
O que pensam,
O que julgam,
Porque
Não tem
Nada;
Não sabe
Nada;
Não percebe
Nada;
Não compreende
Nada.

IV

O tempo
Destruiu
O seu corpo,
Diminuiu
A sua mente
Completamente.

V

Agora,
O sr. Ndo,
Nada pode chamar,
Não pode pronunciar,
Os nomes,
Melhor, os pronomes
"Meu" e "minha"
Em toda linha,
Porque, na realidade,
Já não possui nada
Como "seu", como sua",...
Tudo desaparecera,
Tudo evaporara
Uma crua
E nua
Verdade!

VI

O desejar,
O querer,
O ambicionar,
Apenas existe
No seu subconsciente,
Na sua imaginação,
A grande intenção,
Ambição
Deste ser
Que quer
Viver!

VII

Ainda
Penso,
Porque ainda
Existo
Fisicamente,
Não psicologicamente
E moralmente
Neste
Vasto
Universo.

VIII

Os meus irmãos,
Os meus filhos,
Os meus amigos,
Os meus parentes,
Todos,
Deliberadamente,
Fugiram,
Desapareceram,
Se afastaram
De mim,
Esperando, ansiosamente,
Pelo meu fim.

IX

Deus é grande,
"Alá kubarum"(?),
Vou insistindo,
Vou lutando,
Como sempre tenho feito
No remoto,
Ao longo dos anos,
Através de vários treinos
Pela continuidade,
Na humanidade.

X

Abracei uma nova família,
Melhor dizendo,
Uma nova família
Abraçou-me
Com caridade
E humanidade,
Para não perecer,
Para não morrer,
Porque de tudo,
Dependo
Dela:
Da renda,
Da comida,
Do passe social
Para poder viajar,
Para poder deslocar...!


ODIVELAS( 3ª-FEIRA), 04 DE OUTUBRO DE 2011.

A MORTE/ NÃO EXISTE/

I

Quando
Tu partes
Pela morte
Inesperadamente,
Sabendo
Que já nada sentes,
Que já não tens
A dor
Em relação
Aos que estão
Ao teu redor,
Porque já não vens.

II

A morte
É uma viagem
Para o além,
Para uma parte
Bastante
Distante
À sua margem,
Nas suas origens.

III

Cada criatura
Tem o seu dia
Contado
Nesta terra,
Neste mundo,
Através(Por uma)de uma via.

IV

Uns, por uma morte
Natural;
Outros, por uma morte
Acidental.

V

Choramos
A morte
De cada ente;
Choramos
A morte
De cada parente;
Cada qual
Parte
Pela sua sorte,
Pelo bem ou pelo mal
Praticado
Neste mundo.

VI

Os bons,
Esses, partem
Mais cedo
Deste mundo,
Porque os seus dons
Reflectem-
-Se em todos
Os lados
E, ansiosamente, são esperados.

VII

Os maus,
São como paus,
Não fazem faltam,
Porque sempre matam,
Os seus parentes,
Os seus semelhantes,
E por isso, não são desejados,
Não são queridos,
Não são esperados
Pela Providência,
Devido à violência,
À maldade
E os crimes
Perpetrados
No mundo
Onde vivem,
Mas, mesmo assim, não partem
Tão cedo!

PV CITY(4ª-FEIRA),05 DE OUTUBRO DE 2011.

MATTOS( NDO )

terça-feira, 4 de outubro de 2011

NO QUE CNO

I

Não me levem muito longe!
Não me façam um monge!
Quero estar presente
Em cada semelhante,
Partilhando o que cada um se sente
E descodificando o que cada um emite!

II

Quero estar muito
Perto
De cada sujeito
E ter um comhecimento
Correcto
E concreto
Em cada momento,
Bem como o verdicto
Em que cada um está envolto.

III

Nesta Escola
Onde tudo se rola,
Mas que nada ainda se revela
Porque revelar
Significava cotevelar
O Agrupamento de Escolas Avelar
Brotero
E lánçá-lo para o escuro,
Para o desconhecido
Deste mundo
Onde está agora o prof Ndo.

IV

E o RVCC,
O que nos diz
Respeito
Neste momento?
O que o prof Ndo
Sabe sobre esse processo,
Sobre as siglas?

V

Estou colocado
No Centro de Novas Oportunidades
Na Escola EB1/2 Avelar Brotero,
Em Odivelas,
Depois de ter permanecido
Dois anos consecutivos
Ña Escola SECUNDÁRIA/2 Padre Alberto Neto,
Em Queluz Belas.

VI

Uma experiência nova,
Um desafio
Com o objectvo
De qualificar mais Portugal,
Transformar o informal,
Num formal,
Também legal,
Uma perspectiva
Por intermédio
Do Reconhecimento,
Validação
E certificação
De conhecimento(s)
De um jovem,
De homem,
De um adulto.


VII

Os bancos
Da escola
Deixam de ser os únicos
A formar cada costela,
Cada pessoa
E Permitir que a broa
Seja exprimentada
Por cada
Ser na sua total vertente,
Abrindo-lhe um vasto horizonte.

VIII

O monopólio
Que não dá ou permite auxílio
Para que cada um organize o seu portefólio,
O RVCC é um compêndio
Que nos dá acesso ao pódio
Num universo médio
Da Sociedade,
Da humanidade
E que nos encharca com a felicidade.

IX

Se assim o entendo,
O RVCC é um todo
Organizado
Ou idealizado,
Pretendendo
Contribuir para o desejado,
O ambicionado
Curriculum vitae,
Formação pessoal, escolar
E profissional.

X

A aspiração
De quem
Tem
Um coração
Grande
E que depende,
Em grande
Parte,
Da vontade,
Do empenho,
E também
Da sorte
Para conseguir
O seu objectivo
E assim, seguir
Para um outro alvo!

ODIVELAS, 04 DE OUTUBRO DE 2011(ESCOLA AVELAR BROTERO)

MATTOS (NDO)

domingo, 2 de outubro de 2011

A TRIBO BANTUMBI

I

A viagem
Que este homem
Empreendeu,
Não correspondeu
O caminho
Que tinha traçado,
O sonho
Que tinha idealizado
Desde
A sua tenra idade
Naquela Sociedade!
II

Da tribo
Manjaca
No Norte
Da Guiné-Bissau,
Concebo
A placa
Zénite,
Vindo à Europa
À procura do pão, da sopa,
Para assegurar o pau
Da família,
A sua folia.

III
Tribo
Trabalhadora,
Honesta,
Que detesta
O roubo,
A mentira;
Que vive com honra
Do seu trabalho árduo
E diário.

IV

O sonho dos seus ancestrais,
Dos seus antepassados,
o que mais
E onde são chamados,
É a lavoura
Da mancarra(1),
Do arroz
Junto a foz
Dos rios,
Onde os lírios
Cantam
E encantam
Os que nas bolanhas(2)
Labutam
E exercitam
Com ardor
E amor.

V
O manjaco
Tem o pudor
Da ociosidade ,
Da criminalidade,
Da vadiagem,
Da mentira,
E de tudo o que tem
A ver com a desonra.

VI

O manjaco
Procura
O que é correcto,
O que é recto,
O que é exacto,
O que é verdadeiro,
O que é puro,
O que é sincero,
O que é digno
Do ser humano,
O que é verídico,
E, detesta a mentira,
Na verdadeira
Acepção da palavra.

VII

Vou seguir
As pisadas
Dos meus antepassados,
À sua pureza,
A sua natureza
Humana,
Mesmo que as minhas acções
Sejam lesadas,
Salvaguardando o provir
Das gerações futuras.

PV CITY ( DO), 02 DE OUTUBRO DE 2011.

MATTOS( NDO )

A CRIATURA/ NA CRATERA/ DA TERRA/

I

Com a euforia,
Eu partia
Da minha terra
Com a expectativa
Para vir
Mais tarde,
Servir
À minha sociedade,
À minha Pátria,
À minha família!

II

Nem uma,
Nem outra,
Consegui
Servir,
Consegui
Cobrir.

III

Nem
Lá,
Nem
Cá,
Este homem
Correspondeu
Às expectativas;
Isto é, não deu provas.

IV

Lutou,
Pugnou,
Batalhou,
Mas nada
Resultou
Na e para a sua vida!

V
A certa
Altura,
Esta
Criatura
Eclipsou
E caiu
Na cratera
E nunca mais conseguiu
Sair para fora!

VI

Os filhos
Procuraram
Outros trilhos;
Voaram,
Deixaram -
-No,
Abandonaram -
-No.

VII
O que mais deseja
Neste momento
É que estejam
Bem
E que tenham
Saúde
E felicidade
Nesta sociedade.

VIII

Agora,
Vive
Com uma outra
Família,
Que o ampara,
Que o auxilia,
Que o apoia,
E, assim,
Sobrevive
Até ao seu fim!

IX

Este homem
Está entregue
Aos abutres
Silvestres,
Para que pague
A imagem
Que ele próprio
Construiu,
Com brio
Do seu exercício,
Mas que , infelizmente, faliu,
Ruiu!

X

Abandonado
Pelos seus pares,
Seus amigos,
E familiares,
O sr. Ndo,
Procura
Outros horizontes
Mais sorridentes,
A fim de sair desta cratera,
Se equipando
Doutros vestes.

XI

Em Outubro,
Onde se deu o furo
Onde se deu o ombro
E germinou o touro
Que hoje é(está) inteiro,
O sr. de Quínara,
Dono do seu nariz,
Que pretendia,
Que queria
Ser feliz,
Hoje em dia,
Procura
Assegurar a sua existência,
A sua sobrevivência
Através da escrita,
Da tinta
Que pinta
Sobre o papel
O seu mel.

PV CITY,(DO), 01 DE OUTUBRO DE 2011.

MATTOS ( NDO )

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O AMANHÃ/ NÃO LHE APANHA/ HOJE, GANHA/.

I

"O amanhã,
Deus dará
Aos que habitam,
Aos que labutam
Nesta terra"

II

"O que interessa,
É viver
Intensamente
O hoje"

III

"Os ricos
Têm mais
Dinheiro
Que eu.
Não podem
Comer
E dormir
Mais que eu,
Não podem comer
E dormir
Melhor
Que eu"

IV
Essa é a filosofia
De quem
Confia,
De quem
Tem
A esperança,
De quem
Acredita
No além.

V

Sofremos
Muito,
Eu e a minha mulher.

VI

Ficámos privados de tudo.
Não tínhamos nada
Para comer,
Para viver.

VII

Eu estava desempregado
E não recebia nada
De subsídio.
Não tínhamos dinheiro
Para pagar a renda.

VIII

No mês de Setembro,
O mês duro,
O mês macabro,
A esposa
Arregaçou as mangas
E foi trabalhar em quatro sítios:
- Vasco da Gama(empresa), de 7 à 14 horas;
- Patroa, , Olivais Shopping, de 14 às 18 horas;
- Escola Encarnação- de 18h3o às 19h30 minutos)
- Escola EB1/IJ- Vasco da Gama, de 19h45m às 22h.

IX

No final do mês,
Nos três sítios(VG, ENCARNAÇÃO E ESCOLA), levou, trouxe para casa, 754 Euros( setecentos e cinquenta e quatro Euros) Falta o vencimento da Patroa, Olivais Shopping.

É essa vida que eu levo, que levamos em Portugal, concretamente no Prior Velho.

PV CITY, 30 DE SETEMBRO DE 2011.

MATTOS(NDO)

sábado, 24 de setembro de 2011

MÃE/ É MÃE/

I

A cada hora
De espera,
Com coragem e esperança,
A mãe aguarda
A vinda
Para(a este)este mundo,
De um ser lindo,
Genial,
Especial,
Incomparável e desigual!




II

Nada comparável,
Equiparável
À nossa querida
Mãe,
Nem o pai!

III

O sofrimento
No parto
Para o nosso rebento,
Para o nosso nascimento,
É o reconhecimento
De cada um de nós como humano
Digno
Desse nome,
Como espécime
Racional
E integral.

IV

Amemos
À nossa mãe
Incondicionalmente,
Independentemente
Da nossa sorte
Em qualquer parte.

V

Mãe,
És linda
Como a seda
Ou como a porcelana
Vinda
Da China
Ou da Índia,
Que irradia
A beleza
Em cada mesa,
Em cada casa.

VI

A tua beleza
Não implica
Que sejas formosa,
Porque tu és única!
A tua beleza
Não é só exterior,
Mas sobretudo
Interior,
Porque trouxeste-me ao mundo!
Deste-me ao mundo!

VII

Sem ti,
Não existiria
A alegria,
Que sou eu,
Que hoje estou,
Integralmente teu!

VIII

Um beijo
Do teu "fidjo"(1)
Nas delícias do Tejo.

1). fidjo, em crioulo, filho.

MATERNIDADE DR. ALFREDO DA COSTA(4ª-FEIRA,03H3OMINUTOS), 21 DE SETEMBRO DE 2011.

MATTOS ( NDO)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

OS VULNERÁVEIS/, OS MISERÁVEIS


I

Natos,
Hábeis
Pela força
Da natureza,
existem
Seres
Que vivem
Como
Miseráveis,
Porque
São vulneráveis:
Crianças,
Velhos,
Doentes,
Deficientes, etc.

II

O estado,
A sociedade
Global,
Têm
o dever
De zelar,
De proteger,
Cada ser,
Cada cidadão
Nessa específica condição.

III

O monte,
O zénite,
O limite
De cada vivente
Não deve ser o abate.

IV

Por isso,
O Estado
Deve dar um grande passo,
Não deve marginalizá-los,
Esquecê-los,
Deixando-os ao abandono
Como que não tivesse dono
No tempo que estão vivendo.

SACAVÉM(CENTRO DE EMPREGO), 31 DE AGOSTO DE 2011.

MATTOS (NDO )

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O INFORTÚNIO DO CAMPÓNIO


I

Os santos,
Benditos
Em lugares incógnitos,
Não estão atentos
Nos seus postos,
esqueceram os seus benquistos.

II

No seu árduo
Ofício,
O campónio
Entrega-se de corpo~
E alma
No seu desígnio,
Acreditando que o campo
Lhe dê o benefício
Do seu sacrifício,
O esforço da sua azáfama.

III

Dia
Após dia,
A misericórdia
Da Providência,
Concede-lhe a alegria
De labutar,
De lutar
Com empenho
E dedicação
A fim da concretização
Do seu grande sonho:
Boas colheitas
Que permitam a satisfação
E felicidade da sua família.

Ei-lo
No caminho
Espinhoso,
A labareda
Da vida
Escolhida
Ou destinada
Pelo Pai misericordioso,
Sem desânimo
Desse ramo,
Porque não é um adivinho
Do que está próximo.

V

Oh! O que está seguro
Hoje em dia?!
O posto de trabalho
Está ameaçado diariamente!
Nunca se sabe o que se tem!
Nada está garantido
Por nenhum homem,
Por nenhuma mulher,
Por nenhum ser,
Hoje e no futuro!
VI

O lavrador,
O professor,
O agricultor,
O educador,
O advogado,
O empreiteiro,
O empresário,
O carpinteiro,
O pedreiro,
O armador de ferro,
Todos estão apreensivos,
Pensativos,
Receosos
Com o futuro,
Com o dia de amanhã" O desemprego
Bate a porta a todos.
Ninguém escapa
A grande desgraça
Aflige a sociedade de consumo,
A sociedade global
E Globalizante!
A crise actual
Está a ultrapassar
A Grande Depressão de 1929!

VII

O escritor,
Isto é,
Aquele que sonha
Sê-lo
Com fervor,
Amor
E paixão,
Está desempregado,
Afastado
Da educação,
A sua paixão,
Porque é contratado

pvcity, 1 de Setembro de 2011.
Mattos( Ndo )

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A BIRRA/ DA CRIATURA/ NA TERRA/

I

A terra
Que vira
Esta criatura
A nascer,
A crescer
E a desenvolver,
Testemunha
O que alguém sonhou e sonha.

II
A ambição,
Às vezes
Desmensurada,
Conduz
A criatura
À loucura.

III

É como a birra
Duma criança
Na brincadeira,
Logo à nascença.

IV

Na terra de ninguém,
A nenhum jovem
Convém
A sua aprendizagem,
Porque tudo está virgem
Em termos de linguagem;
Não existe nenhuma mestiçagem,
Nenhuma roupagem
Em termos sociais,
Em termos culturais
Religiosas e morais.

ESPAN( QUELUZ), 11 DE MAIO DE 2011

MATTOS ( NDO )

LOVE ME OR LEAVE ME GIVE ME PEACE

I
O espaço
Onde me repouso,
Está levediço,
Tão espesso,
Tão frágil
E inóbil,
Que não consigo pensar racionalmente,
Inteligentemente;
Tudo
Está minado:
Social,
Profissional
E familiar!

II
A deslocação é perigosa
E extensa;
A estrada
Está minada,
A senda
Está congestionada,
Está azeda;
A alegria
Da família
Está cada
Vez mais comprometida!

IV

Em todos os aspectos,
Estou a encontrar
Dificuldades ,
Pois, todos me querem mal;
Todos me querem expulsar,
Todos,com vaidades,
Me querem destronar,
Deserdar
Da minha barraca!
Que seca!

V
Não tenho sossego,
Não tenho amigo,
Não tenho abrigo!
E a quem rogo
Para me arrajar
Um lugar
Vago,
Àquele que me possa tirar
Do perigo
De cada rego,
De cada lago!

V
Já este rapaz
Não tem sossego,
Não tem amigo,
Não tem aconchego,
Só conta com o seu próprio umbigo
Não tem pago
Naquilo que faz,
Nem tão pouco a paz.
Vive baralhado,
Angustiado
E refugiado
No seu mundo,
Para atenuar o seu medo;
O amor
Já não existe
Em lado
Nenhum;
Só a dor
Persiste
No seu semblante,
No seu horizonte!
Tudo lhe é pungente,
Lhe toturando
A débil mente
Como quem toca um bombulum

LOVE