sábado, 5 de janeiro de 2013
PESAR/ E PENSAR/ A VIDA
I
O peso
Imenso
Do meu fosso,
Ao espaço
Que eu traço,
Como um moço
Que cabe no bolso
Do Universo
Que todos os dias rezo
Para que seja coeso,
Apesar de ser tão disperso.
II
Como pesar
E pensar
Todo o azar
Que ao longo
Do ano antigo
Aconteceu comigo?
III
Nada acrescentei,
Nada realizei,
Nada de tão interessante
E tão importante
Para mim
E para a minha gente,
Porque não concretizei
Nenhum fim.
Que a alguém agrada
IV
Em nada
Ajudei,
Sobretudo os meus irmãos
Em Bolama,
Em Bissau,
Em Pelundo,
Em Cantchungo,
Em Empada,
Em Bambadinca,
Em Bula,
No Senegal, etc, etc.
V
Nada de nada,
Que a alguém agrada,
Que a ninguém contenta!
Ainda não participei na contribuição familiar
De 600 Euros cada, para cerimónia global
De todas as almas e nossos defuntos,
A ter lugar no próximo mês de Abril,
Em Pelundo,
Porque nem um cêntimo tenho neste momento!
Tudo esbanjei na quadra festiva,
O subsídio recebido do fundo de desemprego!
VI
Eu estou neste momento,
Sem um um único cêntimo!
Que praga,
Que não me larga?
Que chaga
Me castiga
E prende cada manga
Na pocilga
Que actualmente me alberga?!
VII
Há necessidade
De ter a consciência grande
Relativamente ao dia de amanhã,
Porque tudo o que hoje me surpreende,
Pode
Ser muito tarde!
VIII
POUPAR,
Pode salvar
Aquele que está sempre "teso",
Aquele que está sempre raso,
Aquele que está sempre sem peso
No peso
Que é preciso,
Porque o senso
É o que penso !
PV CITY (SÁ, 13H25 MINUTOS ), 05 DE JANEIRO DE 2013.
MATTOS (NDO)
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